Mama
África!
A História de como uma empregada doméstica se tornou a voz da África
A História de como uma empregada doméstica se tornou a voz da África
No
dia 4 de março, o Google fez uma homenagem a uma das mulheres que marcaram
história por sua força e sua voz. Era o aniversário de 81 anos, caso ainda
estivesse viva, de Miriam Makeba, uma cantora e atriz que através do seu sonho
sofreu e lutou contra o apartheid na África do Sul.
Zenzile
Miriam Makeba nasceu em 4 de março de 1932 em Johanesburgo. Filha de Caswel
Makeba, membro da tribo Xhosa, e Christina Nomkomndelo , curandeira espiritual
swazi e empregada doméstica, Miriam desde pequena mostrou gosto pela música,
apesar de conviver com muitos problemas. Sua mãe foi presa por seis meses, sob
a condenação de vender uma bebida ilegal, quando ela tinha 8 dias de vida e seu
pai morreu aos seus 5 anos de idade.
Seu
gosto pela música de artistas locais e do jazz norte-americano, a fizeram
entrar para o coro do Kilmerton Training Institute e aos 13 anos, quase se
apresentou para o então rei da Inglaterra George VI, mas a apresentação foi
impedida pela chuva.
Com
16 anos, viu o apatheid ser institucionalizado em seu país, e já percebia as
implicações que isso poderia ter no seu sonho. Foi obrigada também a deixar a
escola e começar a trabalhar como empregada doméstica, o que a fez perceber o
grande racismo que existia.
Aos
17 anos engravidou e teve sua única filha Bongi. Logo após o nascimento da
filha, Miriam teve câncer e se viu curada por um tratamento não convencional
realizado por sua mãe. O relacionamento com o pai de sua filha não durou muito
tempo por causa de agressões físicas. A música ficou por um tempo em segundo
plano, já que Miriam continuava trabalhando como empregada doméstica para poder
criar sua filha.
Na
década de 50, ela se juntou aos conjuntos musicais The Cuban Brothers e logo
depois Manhattan Brothers, esse último lançando ela ao sucesso através de uma
turnê pelo Zimbábue e Congo. Nessa época
ela gravou um de seus grandes sucessos “Pata Pata”, que a fez ser conhecida na
África do Sul e que mais tarde foi regravada nos Estados Unidos e se tornou uma
das grandes marcas de sua carreira.
Em
1957, Makeba saiu do Manhattan Brothers para formar o grupo The Skylarks, um
conjunto feminino que misturava jazz norte-americano com as musicas
tradicionais africanas. Atuou, em 1959, na ópera/jazz sul africana King Kong no
principal papel feminino, e o destaque da produção alavancou sua carreira
internacional e a fez participar do documentário antiapartheid “Come Back,
Africa” de Lionel Rogosin.
O
filme foi proibido de passar na África do Sul, mas recebeu diversos elogios no
Festival de Cinema de Veneza. Ao final
do Festival, Miriam recebeu diversos convites para apresentações nos Estados
Unidos e enquanto esperava em Londres pela permissão para entrar no país, ela
conheceu Harry Belafonte, que se tornou um grande parceiro em sua carreira.
No
início da década de 60, Makeba fez diversas apresentações ao lado de Belafonte
incluindo uma apresentação no aniversário do presidente John F. Kennedy, e
recebeu um Grammy Award pelo CD que gravou ao lado do parceiro musical.
Como
nem tudo são flores, a situação política no país em que nasceu trouxe novos
problemas. Quando Miriam tentou voltar à Africa do Sul, em virtude da morte da
sua mãe, descobriu que o seu passaporte estava cancelado e que o governo estava
proibindo a sua entrada no país. Um discurso contra o apartheid na ONU lhe
rendeu a revogação da sua cidadania e a proibição de seus discos no seu país de
origem. O tempo de exílio foi minimamente compensado com as 10 cidadanias
honorárias que ela recebeu, e assim passou a se considerar cidadã do mundo.
Nesta
década, Makeba ainda enfrentou um novo câncer, agora tratado pelos métodos
convencionais, se engajou na causa de Martin Luther King, e viu o seu quarto
casamento, com Stokely Carmichael, prejudicar sua carreira por causa de
diversos cancelamento de shows, sob a suspeita de que ela estaria financiando a
causa pela qual ele lutava: os direitos dos negros.
Essa
exclusão fez ambos se mudarem para Guiné por quinze anos. Em 1973, já separada
ela ainda prosseguia fazendo apresentações na Europa, Ásia e África. Como
cidadã honorária em Guiné, trabalhou na ONU e ganhou o Premio da Paz Dag
Hammarskjöld em 1986.
A
morte da sua única filha e de um neto, em 1985, fez Miriam se mudar para
Bruxelas dizendo ter encontrado forças nos dois netos que já tinha, na sua
música e na sua fé na figura de Deus. Três anos depois, ela lançou seu primeiro
trabalho norte-americano, desde que saiu do país: o disco Sangoma, produzido
pela Warner Bros Records, que reunia cânticos a capela e que era uma homenagem
a sua mãe.
Com
a libertação de Nelson Mandela em fevereiro de 1990, Makeba retornou ao seu
país natal em junho do mesmo ano, com o seu passaporte francês. Nessa época,
lançou um novo álbum que misturava diversos ritmos, mas não deixava de mostrar
a música africana. Fez mais uma turnê mundial, e teve seu álbum Homeland
indicado ao Grammy de Melhor Album Musical de World Music, no mesmo ano em que
foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade da Organização das Nações Unidas para
Agricultura e Alimentação.
Com
o fim do regime do apartheid, Miriam continuou cantando e contando os problemas
que via no seu país, como a epidemia de AIDS e em prol dos deficientes físicos.
Anunciou aposentadoria em 2005, mas continuou fazendo apresentações a fim de
divulgar a cultura africana. Em 2008, concordou em fazer uma apresentação em
Castel Volturno na Itália, em prol de um jovem escritor que delatou uma
poderosa máfia e também de seis africanos que foram mortos pela máfia na
cidade.
Foi
durante essa apresentação, que Miriam passou mal, e morreu nas primeiras horas
do dia seguinte, deixando para trás uma história de alguém que se dedicou a
realizar o seu sonho e contar aquilo que lhe causava dor, e que acabou se
transformando na voz da África.
Parabéns por tudo, Mama
África!
Álbuns:
Álbuns:
·
Miriam Makeba – 1960
·
The World of Miriam Makeba – 1962
·
Makeba – 1963
·
Makeba Sings – 1965
·
An Evening With Belafonte/Makeba – 1965
·
The Click Song – 1965
·
All About Makeba – 1966
·
Malaisha – 1966
·
Pata Pata – 1967
·
The Promise – 1974
·
Country Girl – 1975
·
Sangoma – 1988
·
Welela – 1989
·
Eyes On Tomorrow – 1991
·
Sing Me A Song – 1993
·
A Promise – 1994
·
Live From Paris & Conakry – 1998
·
Homeland – 2000
·
Keep Me In Mind – 2002
·
Reflections – 2004
Por Tainnah Rabelo



Nenhum comentário:
Postar um comentário