Até a década de 70, as disfunções
sexuais femininas, à exceção do vaginismo e independentemente da fase do ciclo
de resposta sexual afetada, eram denominadas globalmente por “frigidez”. O
cunho pejorativo associado a este “diagnóstico” juntamente com a falta de
vivência aberta das mulheres da sua sexualidade, alimentou uma visão distorcida
da mulher dessa época.
Ao longo dos últimos 30 anos, tem
existido um esforço maior por se encontrar uma resposta terapêutica para as
dificuldades sexuais das mulheres, apesar de geralmente a comunidade científica
privilegiar o conhecimento dos aspectos da sexualidade masculina. A revolução
ocorrida com alguns trabalhos pioneiros veio possibilitar o reenquadramento da “patologia”
sexual feminina. A investigação consequente e os modelos teóricos posteriores
permitiram criar uma base sólida para a compreensão do funcionamento sexual
adequado e patológico a partir do estabelecimento das fases do ciclo de
resposta sexual humana: Desejo, Excitação, Orgasmo e Resolução. A disfunção
sexual ocorreria perante a perturbação num destes estádios ou ainda por dor
associada à relação sexual.
FASE DO CICLO
DE RESPOSTA SEXUAL
|
DISFUNÇÃO
SEXUAL FEMININA
|
Desejo
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Desejo Sexual Hipoativo
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Aversão Sexual
|
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Excitação
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Perturbação da Excitação Sexual na Mulher
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Orgasmo
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Anorgasmia
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Dor
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Dispareúnia
|
Vaginismo
|
Falaremos dos três principais tipos de
Disfunções Sexuais, são eles a anorgasmia, a dispareúnia e o vaginismo.
A anorgasmia é definida como o atraso ou
ausência de orgasmo, persistente ou recorrente, a seguir a uma fase de
excitação adequada, sendo necessário recorrer ao juízo clínico tendo por base a
idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe.
A dispareúnia consiste na ocorrência de
uma dor genital persistente ou recorrente associada à atividade sexual na
mulher, não sendo provocada exclusivamente por vaginismo ou ausência de
lubrificação. Esta dor pode ser manifestada antes, durante ou após o coito.
O vaginismo é usualmente definido como
um espasmo involuntário da musculatura do terço externo da vagina. Trata-se de
uma contração recorrente ou persistente quando se tenta a penetração vaginal
com o pênis, dedo, tampão ou especulo vaginal (instrumento utilizado para
efetuar o exame preventivo); o mesmo espasmo pode ocorrer perante a antecipação
da introdução vaginal. A contração ocorre nos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP), que compreende os músculos perineais e elevador do
ânus, e a sua intensidade pode variar de ligeira, produzindo aperto e
desconforto, mas tolerando algum tipo de penetração (ex. tampão, dedo), a
grave, impossibilitando a penetração. Não é incomum, deste modo, que mulheres
com vaginismo e uma reação de medo extrema perante a penetração vivam a relação
sexual sem a consumação do coito durante anos, apesar de sentirem desejo,
prazer e com frequência orgasmos na interação vaginal.
Músculos
do assoalho pélvico
FONTE: PABLO C, SOARES C. As disfunções sexuais femininas. Rev
Port Clin Geral 2004; 20:357-70.
Alguns exercícios que podem ser feitos
no dia a dia tanto para a prevenção quanto para tratamento destas disfunções,
conhecidos como Exercícios de Kegel, consistem em contrair e relaxar a
musculatura do assoalho pélvico, em associação com a respiração:
PASSO A PASSO:
1) Preferencialmente, a mulher deve estar
confortavelmente sentada e com as mãos repousando sobre as coxas.
Porém, conforme vai se adquirindo prática, os Exercícios de Kegel podem ser
realizados durante quase todas as atividades cotidianas, como durante o banho,
os afazeres domésticos, no trânsito, assistindo TV. É importante criar o hábito diário e manter
um horário fixo, para favorecer a regularidade do exercício.
2)
Começamos
com o nível fácil:
-Contraia 4 vezes a Musculatura do
Assoalho Pélvico (MAP), da forma mais forte e rápida possível, descansando apenas 1 segundo entre cada contração;
-Após as 4 contrações, descanse por 30
segundos.
-Repita a série de 4 contrações por mais
3 vezes, descansando 30 segundos entre cada série, sempre inspirando no
relaxamento e expirando na contração.
3)
Quando este estiver
fácil, avançamos para exercícios:
- Contraindo a MAP o mais forte possível por 2
segundos, descansando por 2 segundos entre cada contração;
- Fazer uma série de 8 a 10 destas contrações;
-Descansar então 30 segundos entre
cada série;
-Repetir mais 3 vezes esta série.
4)
Avançando para ganho de
resistência:
-Contrair fortemente a MAP, sustentando esta contração por 2
segundos.
-Relaxar por 5 segundos.
-Repetir 10 vezes.
-Descansar
por 30 segundos.
-Fazer 2
séries de 10 contrações.
Conforme o
ganho de resistência, pode-se aumentar para até 5 séries de 8 repetições
contraindo por 8 segundos.
5)
O
próximo nível consiste em:
-Contrair a MAP com a maior força e o
mais rápido possível, 15 vezes durante 15 segundos;
-Descansar por 30 segundos;
-Fazer 5 séries;
-Pode aumentar para até: contrair a MAP
com a maior força e o mais rápido possível, 35 vezes durante 10 segundos,
descansar por 1 minuto, fazendo 8 séries.
Fontes: ANTONIOLI RS, SIMÕES D. Abordagem Fisioterapêutica nas Disfunções Sexuais Femininas. Rev Neurocienc 2010;18(2):267-274.
Fontes: ANTONIOLI RS, SIMÕES D. Abordagem Fisioterapêutica nas Disfunções Sexuais Femininas. Rev Neurocienc 2010;18(2):267-274.
LATORRE
G. Exercícios de Kegel. http://www.perineo.net/conteudo/exercicios-para-perineo.php#op2.
LEMBRE-SE!
- Tenha o cuidado de não contrair o estômago, as pernas ou outros músculos, pois poderá exercer muita pressão sobre os músculos que controlam a bexiga. Procure contrair apenas o músculo pélvico. A repetição é importante, mas não exagere. Realize as series 3 vezes ao dia. Lembre-se que apenas cinco minutos, três vezes por dia podem fazer toda a diferença!
- Além dos exercícios, você pode fazer massagem superficial na sua musculatura do assoalho pélvico, com o intuito de relaxar essa musculatura, diminuindo a dor e as contrações involuntárias!
- Esses exercícios ajudam, mas se detectar algum problema em sua vida sexual procure um profissional habilitado que possa te dar o encaminhamento adequado do tratamento!

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