sábado, 30 de março de 2013

Disfunções Sexuais Femininas



Até a década de 70, as disfunções sexuais femininas, à exceção do vaginismo e independentemente da fase do ciclo de resposta sexual afetada, eram denominadas globalmente por “frigidez”. O cunho pejorativo associado a este “diagnóstico” juntamente com a falta de vivência aberta das mulheres da sua sexualidade, alimentou uma visão distorcida da mulher dessa época.
Ao longo dos últimos 30 anos, tem existido um esforço maior por se encontrar uma resposta terapêutica para as dificuldades sexuais das mulheres, apesar de geralmente a comunidade científica privilegiar o conhecimento dos aspectos da sexualidade masculina. A revolução ocorrida com alguns trabalhos pioneiros veio possibilitar o reenquadramento da “patologia” sexual feminina. A investigação consequente e os modelos teóricos posteriores permitiram criar uma base sólida para a compreensão do funcionamento sexual adequado e patológico a partir do estabelecimento das fases do ciclo de resposta sexual humana: Desejo, Excitação, Orgasmo e Resolução. A disfunção sexual ocorreria perante a perturbação num destes estádios ou ainda por dor associada à relação sexual.

FASE DO CICLO DE RESPOSTA SEXUAL
DISFUNÇÃO SEXUAL FEMININA
Desejo
Desejo Sexual Hipoativo
Aversão Sexual
Excitação
Perturbação da Excitação Sexual na Mulher
Orgasmo
Anorgasmia
Dor
Dispareúnia
Vaginismo

Falaremos dos três principais tipos de Disfunções Sexuais, são eles a anorgasmia, a dispareúnia e o vaginismo.
A anorgasmia é definida como o atraso ou ausência de orgasmo, persistente ou recorrente, a seguir a uma fase de excitação adequada, sendo necessário recorrer ao juízo clínico tendo por base a idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe.
A dispareúnia consiste na ocorrência de uma dor genital persistente ou recorrente associada à atividade sexual na mulher, não sendo provocada exclusivamente por vaginismo ou ausência de lubrificação. Esta dor pode ser manifestada antes, durante ou após o coito.
O vaginismo é usualmente definido como um espasmo involuntário da musculatura do terço externo da vagina. Trata-se de uma contração recorrente ou persistente quando se tenta a penetração vaginal com o pênis, dedo, tampão ou especulo vaginal (instrumento utilizado para efetuar o exame preventivo); o mesmo espasmo pode ocorrer perante a antecipação da introdução vaginal. A contração ocorre nos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP), que compreende os músculos perineais e elevador do ânus, e a sua intensidade pode variar de ligeira, produzindo aperto e desconforto, mas tolerando algum tipo de penetração (ex. tampão, dedo), a grave, impossibilitando a penetração. Não é incomum, deste modo, que mulheres com vaginismo e uma reação de medo extrema perante a penetração vivam a relação sexual sem a consumação do coito durante anos, apesar de sentirem desejo, prazer e com frequência orgasmos na interação vaginal.
Músculos do assoalho pélvico

FONTE: PABLO C, SOARES C.  As disfunções sexuais femininas.  Rev Port Clin Geral 2004; 20:357-70.

Alguns exercícios que podem ser feitos no dia a dia tanto para a prevenção quanto para tratamento destas disfunções, conhecidos como Exercícios de Kegel, consistem em contrair e relaxar a musculatura do assoalho pélvico, em associação com a respiração:

PASSO A PASSO:
1)      Preferencialmente, a mulher deve estar confortavelmente sentada e com as mãos repousando sobre as coxas. Porém, conforme vai se adquirindo prática, os Exercícios de Kegel podem ser realizados durante quase todas as atividades cotidianas, como durante o banho, os afazeres domésticos, no trânsito, assistindo TV. É importante criar o hábito diário e manter um horário fixo, para favorecer a regularidade do exercício.
2)      Começamos com o nível fácil:
-Contraia 4 vezes a Musculatura do Assoalho Pélvico (MAP), da forma mais forte e rápida possível, descansando apenas 1 segundo entre cada contração;
-Após as 4 contrações, descanse por 30 segundos.
-Repita a série de 4 contrações por mais 3 vezes, descansando 30 segundos entre cada série, sempre inspirando no relaxamento e expirando na contração.

3)      Quando este estiver fácil, avançamos para exercícios:
- Contraindo a MAP o mais forte possível por 2 segundos, descansando por 2 segundos entre cada contração;
- Fazer uma série de 8 a 10 destas contrações;
-Descansar então 30 segundos entre cada série;
-Repetir mais 3 vezes esta série.

4)      Avançando para ganho de resistência:
-Contrair fortemente a MAP, sustentando esta contração por 2 segundos.
-Relaxar por 5 segundos.
-Repetir 10 vezes.
-Descansar por 30 segundos.
-Fazer 2 séries de 10 contrações.
Conforme o ganho de resistência, pode-se aumentar para até 5 séries de 8 repetições contraindo por 8 segundos.
5)      O próximo nível consiste em:
-Contrair a MAP com a maior força e o mais rápido possível, 15 vezes durante 15 segundos;
-Descansar por 30 segundos;
-Fazer 5 séries;
-Pode aumentar para até: contrair a MAP com a maior força e o mais rápido possível, 35 vezes durante 10 segundos, descansar por 1 minuto, fazendo 8 séries.

Fontes: ANTONIOLI RS, SIMÕES D.  Abordagem Fisioterapêutica nas Disfunções Sexuais Femininas.   Rev Neurocienc 2010;18(2):267-274.


LATORRE G.  Exercícios de Kegel.  http://www.perineo.net/conteudo/exercicios-para-perineo.php#op2. 

LEMBRE-SE! 
  •  Tenha o cuidado de não contrair o estômago, as pernas ou outros músculos, pois poderá exercer muita pressão sobre os músculos que controlam a bexiga. Procure contrair apenas o músculo pélvico. A repetição é importante, mas não exagere. Realize as series 3 vezes ao dia. Lembre-se que apenas cinco minutos, três vezes por dia podem fazer toda a diferença!

  • Além dos exercícios, você pode fazer massagem superficial na sua musculatura do assoalho pélvico, com o intuito de relaxar essa musculatura, diminuindo a dor e as contrações involuntárias!

  • Esses exercícios ajudam, mas se detectar algum problema em sua vida sexual procure um profissional habilitado que possa te dar o encaminhamento adequado do tratamento!

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